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ENARE R+ CIRURGIA

ENARE · Cirurgia Geral · Revisão temática

Linfomas gastrointestinais

Revisão dirigida e banco de questões construído a partir de uma questão-matriz do ENARE, expandido para cobrir todas as variações cobráveis do tema.

Questão-matriz O subtipo de linfoma gástrico mais comum é o linfoma de…
Questões
54
Blocos
8
Seções de revisão
10
Fonte principal
Sabiston, 21ª ed.
Parte I

Revisão dirigida

Leia em uma sessão antes de responder às questões. Cada seção corresponde a um eixo distinto de cobrança em prova.

01Epidemiologia — os números que caem na prova

O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais frequentemente acometido pelos linfomas não-Hodgkin, respondendo por cerca de 30% a 40% de todos os linfomas extranodais. Dentro do TGI, a distribuição segue uma ordem decrescente estável: estômago (60% a 75%), intestino delgado (20% a 30%), cólon e reto (5% a 10%) e esôfago (menos de 1%, praticamente uma raridade).

O linfoma gástrico primário representa de 1% a 5% de todas as neoplasias malignas do estômago — o adenocarcinoma continua sendo, com larga margem, a lesão maligna gástrica mais comum (90% a 95%). Ainda assim, o estômago é o local onde o linfoma extranodal mais aparece.

Perfil demográfico: pico entre a sexta e a sétima décadas de vida, discreto predomínio masculino. Mais de 95% dos linfomas gástricos primários são de linhagem B; os de linhagem T são excepcionais no estômago (ao contrário do intestino delgado, onde o EATL é relevante).

A incidência do linfoma MALT gástrico vem caindo em países desenvolvidos, acompanhando a queda da prevalência da infecção por Helicobacter pylori — um dado epidemiológico que reforça a relação causal.

02Classificação da OMS — o mapa dos subtipos

A prova costuma cobrar o reconhecimento do subtipo a partir de uma pista (idade, sítio, imuno-histoquímica, citogenética ou comorbidade). Domine a tabela abaixo e a maioria das variações fica resolvida.

SubtipoSítio típicoMarcador / genéticaPista clínica clássica
Zona marginal extranodal do MALTEstômagoCD20+, CD5–, CD10–, ciclina D1–; t(11;18) API2-MALT1Gastrite crônica por H. pylori; curso indolente; lesão linfoepitelial
Difuso de grandes células B (DLBCL)EstômagoCD20+, Ki-67 alto (>40%–90%)Massa volumosa, ulcerada; sintomas rápidos; subtipo agressivo mais comum
Células do mantoTodo o TGI (íleo, cólon)CD5+, CD20+, ciclina D1+, t(11;14)Polipose linfomatóide múltipla; prognóstico ruim
Folicular tipo duodenal2ª porção do duodenoCD10+, BCL2+, t(14;18)Múltiplos micropólipos brancacentos; indolente; watch-and-wait
BurkittRegião ileocecalCD10+, BCL2–, Ki-67 ~100%, t(8;14) MYCCriança/adulto jovem; crescimento explosivo; risco de lise tumoral
EATL (tipo I)JejunoCD3+, CD7+, CD103+, linhagem TDoença celíaca refratária; HLA-DQ2/DQ8; perfuração
MEITL (tipo II)Jejuno/íleoCD8+, CD56+, linhagem TNão associado à celíaca; mais comum na Ásia
IPSID / doença das cadeias pesadas alfaDuodeno e jejuno proximalZona marginal; IgA de cadeia alfa truncadaCampylobacter jejuni; Oriente Médio/Mediterrâneo; má absorção

03Patogênese do MALT gástrico — a lógica causal

O ponto de partida conceitual, e origem de uma pegadinha frequente: a mucosa gástrica normal não possui tecido linfoide organizado. O MALT gástrico é tecido ADQUIRIDO, resultado de estímulo inflamatório crônico — na esmagadora maioria dos casos, a gastrite por H. pylori.

A sequência é: infecção crônica por H. pylori → recrutamento de linfócitos e formação de folículos linfoides na mucosa → proliferação de células B dependente de estímulo parácrino de células T H. pylori-específicas → aquisição de alterações genéticas → clone B autônomo, independente do antígeno.

Essa dependência antigênica inicial explica o fenômeno terapêutico mais importante do tema: retirar o antígeno (erradicar o H. pylori) faz o tumor regredir. Quando o clone adquire independência antigênica — tipicamente via t(11;18) —, a erradicação deixa de funcionar.

Achado histológico característico: a LESÃO LINFOEPITELIAL, definida pela invasão e destruição das glândulas gástricas por agregados de células B centrocito-like. O escore de Wotherspoon (0 a 5) gradua o infiltrado, sendo 5 o linfoma franco.

Imuno-histoquímica do MALT (padrão de exclusão): CD19+, CD20+, CD79a+, CD21+, CD35+; e — igualmente importante — CD5 NEGATIVO (exclui manto e LLC), CD10 NEGATIVO (exclui folicular e Burkitt), CD23 NEGATIVO e CICLINA D1 NEGATIVA (exclui manto).

04Citogenética — quatro translocações, um destino comum

Todas as translocações recorrentes do MALT convergem para a ativação constitutiva da via NF-kappaB, o que confere sobrevida independente do estímulo antigênico. Essa é a explicação mecanística de por que a erradicação falha nesses casos.

TranslocaçãoGenesFrequência / sítioSignificado clínico
t(11;18)(q21;q21)API2–MALT1A mais comum no estômago (~25%–30%)Prediz FALHA da erradicação isolada; doença mais avançada; raramente transforma em DLBCL
t(1;14)(p22;q32)BCL10–IGHRara (<5%)Também associada a resistência à erradicação
t(14;18)(q32;q21)IGH–MALT1Predomina em sítios NÃO gástricos (órbita, parótida, pulmão)Baixa relevância no MALT gástrico; não confundir com a t(14;18) BCL2 do folicular
t(3;14)(p14.1;q32)FOXP1–IGHRara; tireoide, órbita, peleDescrita em MALT de sítios diversos

Atenção à armadilha: a t(14;18) do linfoma FOLICULAR envolve IGH–BCL2; a t(14;18) do MALT envolve IGH–MALT1. Mesmos cromossomos, genes diferentes.

Trissomias dos cromossomos 3 e 18 também são alterações recorrentes, porém sem o valor preditivo terapêutico da t(11;18).

05Apresentação clínica e diagnóstico

Os sintomas são inespecíficos e clinicamente INDISTINGUÍVEIS do adenocarcinoma gástrico: dor epigástrica ou dispepsia (o mais frequente), saciedade precoce, náuseas, perda ponderal e anemia por sangramento oculto. Sintomas B (febre, sudorese noturna, emagrecimento definido) ocorrem em minoria — cerca de 12% a 20% —, o que difere dos linfomas nodais.

Endoscopia: o linfoma gástrico é um grande imitador. Pode se apresentar como eritema, erosões superficiais, úlcera única ou múltipla, pregas gástricas espessadas (aspecto cerebriforme), nodularidade difusa ou massa polipoide. Nenhum padrão é patognomônico.

Biópsia — ponto crítico e muito cobrado: o infiltrado é frequentemente SUBMUCOSO, e biópsias superficiais de rotina podem ser não diagnósticas. Exige-se biópsias múltiplas, amplas e profundas (macrobiópsias, técnica de biópsia sobre biópsia ou well technique), com mapeamento sistemático do estômago, incluindo áreas de mucosa aparentemente normal, além de biópsias do antro e corpo para pesquisa de H. pylori.

O material deve ser submetido a imuno-histoquímica, citometria de fluxo e pesquisa de clonalidade (rearranjo de cadeia pesada de imunoglobulina por PCR). FISH ou RT-PCR para t(11;18) é recomendada antes de decidir por erradicação isolada.

Pesquisa de H. pylori: histologia com coloração específica, teste de urease, teste respiratório com ureia marcada e antígeno fecal. Se todos negativos, solicitar SOROLOGIA — pacientes com linfoma MALT podem ter carga bacteriana baixa e resultados falso-negativos nos testes diretos.

Ultrassonografia endoscópica (USE): é o método mais preciso para avaliar a profundidade de invasão parietal (T) e os linfonodos perigástricos (N). Tem valor prognóstico direto — quanto mais profunda a invasão além da submucosa, MENOR a probabilidade de resposta à erradicação isolada. Também é a ferramenta de escolha para monitorar resposta.

Estadiamento sistêmico: TC de tórax, abdome e pelve; biópsia/aspirado de medula óssea; hemograma, LDH, beta-2-microglobulina; sorologias para HIV, HCV (associado a linfomas de zona marginal) e HBV — esta última obrigatória antes do rituximabe, pelo risco de reativação viral. O PET-CT é padrão nos subtipos agressivos (DLBCL, Burkitt), mas o MALT tem avidez ao FDG variável e frequentemente baixa, o que limita sua utilidade nesse subtipo.

06Critérios de Dawson — definição de linfoma primário do TGI

Formulados em 1961, permanecem a definição operacional de linfoma gastrointestinal PRIMÁRIO (versus acometimento secundário por linfoma sistêmico). São cinco:

  • Ausência de linfadenopatia periférica palpável;
  • Ausência de alargamento mediastinal / linfonodomegalia mediastinal na radiografia de tórax;
  • Contagem leucocitária total e diferencial normais;
  • Predomínio da lesão no trato gastrointestinal, com acometimento linfonodal restrito à cadeia de drenagem regional;
  • Ausência de acometimento hepático e esplênico (exceto por extensão direta a partir da lesão primária).

Pegadinha clássica: a presença de infiltração de medula óssea NÃO faz parte dos critérios — ao contrário, sua presença descaracteriza a doença como primária do TGI.

07Estadiamento — sistema de Lugano

O sistema de Ann Arbor foi concebido para linfomas nodais e adapta-se mal ao TGI. A adaptação mais utilizada é a classificação de Lugano para linfomas gastrointestinais:

EstágioDefiniçãoDetalhamento
IEConfinado ao TGII1 = mucosa e submucosa; I2 = muscular própria, subserosa ou serosa
IIEExtensão ao abdomeII1 = linfonodos regionais (perigástricos); II2 = linfonodos à distância (para-aórticos, paracavais, mesentéricos, pélvicos)
IIE (IIE)Penetração da serosaInvasão de órgãos ou estruturas adjacentes por contiguidade
IVDoença disseminadaAcometimento extranodal difuso ou linfonodos supradiafragmáticos

Observe que o sistema de Lugano NÃO possui estágio III — o que seria o III foi incorporado ao IIE. Essa ausência já foi objeto de questão.

O sistema de Paris (TNM adaptado por Ruskoné-Fourmestraux) é uma alternativa mais granular: T1m (mucosa), T1sm (submucosa), T2 (muscular própria), T3 (serosa), T4 (órgãos adjacentes); N0–N3; M0–M2; B0/B1 para medula óssea.

08Tratamento do linfoma MALT gástrico

Este é o eixo central do tema e o que mais gera questões de conduta. A regra de ouro contemporânea: o tratamento é de PRESERVAÇÃO DE ÓRGÃO. A gastrectomia deixou de ser terapia primária.

Estágio IE/IIE, H. pylori positivo

Erradicação do H. pylori é a primeira linha, isoladamente. Esquema tríplice (IBP + amoxicilina + claritromicina por 14 dias) ou quádruplo com bismuto em áreas de alta resistência à claritromicina. Confirmar erradicação com teste respiratório ou antígeno fecal, no mínimo 4 semanas após o término do antibiótico e 2 semanas após suspensão do IBP. Remissão completa é obtida em 60% a 80% dos casos.

O tempo da resposta — armadilha frequente

A regressão histológica é LENTA. A mediana até a remissão completa é de aproximadamente 6 meses, mas pode levar 12 a 18 meses, e há relatos de até 24 meses. Portanto, doença histológica residual em uma EDA de controle aos 3 meses, com paciente estável e sem progressão, NÃO indica falha terapêutica — indica observação com endoscopia seriada (watch-and-wait). Escalonar tratamento nesse cenário é erro de conduta.

Avaliação de resposta — sistema GELA

O Groupe d'Étude des Lymphomes de l'Adulte padronizou a leitura histológica pós-tratamento em quatro categorias: CR (remissão histológica completa), pMRD (doença residual mínima provável), rRD (doença residual em resposta) e NC (sem alteração). As categorias CR, pMRD e rRD são compatíveis com conduta expectante; NC com progressão indica escalonamento.

H. pylori negativo, falha de erradicação ou t(11;18) positivo

Radioterapia de campo envolvido é o tratamento de escolha em doença localizada (IE/IIE), na dose de 24 a 30 Gy fracionados, com taxas de controle local superiores a 90%. Alternativa em pacientes não candidatos à RT: rituximabe isolado. Vale registrar que, mesmo em pacientes H. pylori negativos, a antibioticoterapia empírica produz resposta em cerca de 15% a 20% — atribuída a falso-negativos ou a outras espécies de Helicobacter — e pode ser tentada em casos selecionados.

Doença avançada (IIE com linfonodos distantes, IV) ou sintomática disseminada

Imunoquimioterapia sistêmica. O estudo IELSG-19 demonstrou superioridade da associação rituximabe + clorambucila sobre qualquer um dos agentes isolados em sobrevida livre de eventos. Alternativas: R-bendamustina, R-CVP. Em doença assintomática de baixo volume, observação vigilante é aceitável, pela natureza indolente.

Papel da cirurgia

Restrito às COMPLICAÇÕES: perfuração, hemorragia não controlável endoscopicamente e obstrução. Ensaios comparando estratégia cirúrgica versus conservadora (notadamente o estudo multicêntrico alemão de Koch e colaboradores) não demonstraram vantagem de sobrevida com a ressecção, ao custo de morbidade significativa. Gastrectomia profilática antes da quimioterapia, por temor de perfuração, é conduta ABANDONADA — o risco real de perfuração durante o tratamento é inferior a 5%.

09Tratamento do DLBCL gástrico e dos subtipos agressivos

DLBCL gástrico: o tratamento padrão é R-CHOP (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina, prednisona), tipicamente 6 ciclos, com ou sem radioterapia de consolidação em doença volumosa ou resposta parcial. Se houver H. pylori, este deve ser erradicado concomitantemente, mas a erradicação NÃO substitui a imunoquimioterapia. Sobrevida global em 5 anos na faixa de 50% a 60%, com resultados melhores nos estágios iniciais.

Existe uma exceção discutida na literatura: DLBCL gástrico em estágio IE, H. pylori positivo, com componente MALT residual, pode responder à erradicação isolada em séries selecionadas. Trata-se de conduta de exceção, em centros especializados — a resposta de prova permanece R-CHOP.

Linfoma de Burkitt: regimes intensivos e dose-densos (CODOX-M/IVAC, DA-EPOCH-R, hyper-CVAD) com profilaxia de sistema nervoso central. Profilaxia obrigatória de síndrome de lise tumoral com hidratação vigorosa e rasburicase ou alopurinol — o tempo de duplicação tumoral do Burkitt é o mais curto entre as neoplasias humanas.

Linfoma de células do manto: R-CHOP alternado com R-DHAP seguido de autotransplante de medula em pacientes jovens e elegíveis; inibidores de BTK (ibrutinibe, acalabrutinibe) em recidiva. Prognóstico reservado.

EATL: quimioterapia baseada em antraciclina (CHOP) seguida de autotransplante; prognóstico ruim, frequentemente complicado por perfuração e desnutrição. A ressecção pode ser necessária por complicação.

10Prognóstico e seguimento

MALT gástrico em estágio IE: sobrevida global em 5 anos de 90% a 95% — comparação favorável marcante em relação ao adenocarcinoma gástrico, cuja sobrevida global em 5 anos gira em torno de 30% no Ocidente.

Fatores adversos no MALT: profundidade de invasão além da submucosa, acometimento linfonodal, t(11;18) positiva e transformação para grandes células.

Transformação histológica: o MALT pode transformar-se em DLBCL. Curiosamente, os casos t(11;18) positivos, embora resistentes à erradicação, raramente sofrem essa transformação.

Seguimento: endoscopia digestiva alta com biópsias seriadas a cada 6 meses nos primeiros 2 anos, depois anual. A vigilância deve ser prolongada por dois motivos — risco de recidiva do linfoma (especialmente se reinfecção por H. pylori) e risco aumentado, em cerca de 6 vezes, de adenocarcinoma gástrico metacrônico nesses pacientes.

Parte II

Banco de questões

Clique na alternativa para responder. O comentário aparece imediatamente, com o raciocínio, os distratores e as nuances adicionais. Meta: 1 minuto por questão.

IEpidemiologia e distribuição topográfica

01

O sítio extranodal mais frequentemente acometido pelos linfomas não-Hodgkin é:

02

Dentro do trato gastrointestinal, o órgão mais acometido por linfoma primário é:

03

O linfoma gástrico primário representa aproximadamente qual proporção de todas as neoplasias malignas do estômago?

04

O subtipo de linfoma gástrico mais comum é o linfoma de:

05

Quanto à linhagem celular, os linfomas gástricos primários são, em mais de 95% dos casos:

06

No cólon, o segmento mais frequentemente acometido por linfoma primário e o subtipo histológico predominante são, respectivamente:

IIPatogênese, histologia e biologia molecular

07

Sobre a origem do tecido linfoide associado à mucosa gástrica, é correto afirmar:

08

O achado histológico considerado característico do linfoma MALT gástrico é:

09

O perfil imuno-histoquímico típico do linfoma MALT gástrico é:

10

A prevalência de infecção por Helicobacter pylori em pacientes com linfoma MALT gástrico de baixo grau é de aproximadamente:

11

A translocação t(11;18)(q21;q21), que gera o transcrito de fusão API2-MALT1, tem qual implicação clínica no linfoma MALT gástrico?

12

Assinale a alternativa que corretamente associa a translocação ao seu par gênico:

13

A via de sinalização final comum ativada pelas translocações recorrentes do linfoma MALT é:

14

Além do H. pylori, qual das seguintes condições apresenta associação reconhecida com linfoma de zona marginal extranodal?

15

O escore utilizado para graduar histologicamente o infiltrado linfoide na suspeita de linfoma MALT gástrico, variando de 0 a 5, é o escore de:

IIIQuadro clínico, endoscopia e diagnóstico

16

A manifestação clínica mais frequente do linfoma gástrico primário é:

17

Sobre o aspecto endoscópico do linfoma gástrico, é correto afirmar que:

18

Paciente com pregas gástricas espessadas e suspeita clínica de linfoma. Duas endoscopias com biópsias superficiais foram inconclusivas. A conduta mais apropriada é:

19

O método de imagem mais preciso para avaliar a profundidade de invasão parietal e o acometimento linfonodal perigástrico no linfoma gástrico é:

20

Sobre o valor do PET-CT no linfoma gástrico, assinale a correta:

21

Os critérios de Dawson, que definem linfoma gastrointestinal primário, incluem todos os seguintes, EXCETO:

22

Paciente com linfoma MALT gástrico será submetido a tratamento com rituximabe. Qual sorologia é obrigatória antes do início da terapia, pelo risco de reativação com desfecho potencialmente fatal?

23

Todos os testes diretos para H. pylori (histologia, urease, teste respiratório) resultaram negativos em paciente com linfoma MALT gástrico. Antes de classificar o caso como H. pylori-negativo, a conduta adicional recomendada é:

IVEstadiamento

24

O sistema de estadiamento mais utilizado especificamente para linfomas gastrointestinais primários é:

25

No sistema de Lugano para linfomas gastrointestinais, o estágio II1 corresponde a:

26

O sistema de Paris, alternativa de estadiamento para linfomas gástricos, caracteriza-se por:

27

Homem de 62 anos com linfoma MALT gástrico. USE demonstra lesão restrita à submucosa, sem linfonodos perigástricos. TC de tórax, abdome e pelve sem alterações. Biópsia de medula óssea normal. O estágio, segundo Lugano, é:

VTratamento do linfoma MALT gástrico

28

Paciente com linfoma MALT gástrico estágio IE, H. pylori positivo, sem t(11;18). O tratamento de primeira linha é:

29

Após o esquema de erradicação, a confirmação de sucesso deve ser feita:

30

O tempo mediano até a remissão histológica completa do linfoma MALT gástrico após erradicação bem-sucedida do H. pylori é de aproximadamente:

31

Paciente com MALT gástrico IE tratado com erradicação. EDA de controle aos 3 meses: H. pylori erradicado, mas persistência de infiltrado linfomatoso à histologia. Paciente assintomático, sem sinais de progressão. A conduta é:

32

O sistema GELA, aplicado ao linfoma MALT gástrico, serve para:

33

Paciente com MALT gástrico IE, H. pylori positivo, cujo FISH revela t(11;18) positiva. A melhor conduta inicial é:

34

Paciente com linfoma MALT gástrico estágio IE, H. pylori NEGATIVO (incluindo sorologia). O tratamento de escolha é:

35

Sobre o uso de antibioticoterapia em pacientes com MALT gástrico comprovadamente H. pylori-negativos, é correto afirmar:

36

Paciente com linfoma MALT gástrico estágio IV, com acometimento de múltiplos sítios extranodais e sintomático. A terapia de primeira linha com melhor evidência é:

37

Atualmente, a principal indicação de cirurgia no linfoma gástrico primário é:

38

Sobre o risco de perfuração gástrica durante a quimioterapia de linfoma gástrico volumoso e ulcerado, é correto afirmar:

VIDLBCL gástrico e subtipos agressivos

39

Homem de 58 anos com massa gástrica ulcerada de 7 cm. Biópsia: proliferação de células grandes e atípicas, CD20 positivo, Ki-67 de 85%. O diagnóstico e o tratamento de primeira linha são:

40

Sobre a erradicação do H. pylori no DLBCL gástrico, assinale a correta:

41

Paciente de 24 anos com massa ileocecal volumosa, dor abdominal de instalação rápida em 3 semanas e desidrogenase láctica muito elevada. Histologia mostra padrão em céu estrelado e Ki-67 próximo de 100%. Além do regime quimioterápico intensivo, a medida obrigatória antes de iniciar o tratamento é:

42

Paciente com múltiplos pólipos linfomatoides difusos no íleo e cólon. Imuno-histoquímica: CD20+, CD5+, ciclina D1+. O diagnóstico é:

43

Assinale a alternativa que corretamente diferencia o linfoma de Burkitt do linfoma MALT:

VIILinfomas do intestino delgado e cólon

44

A doença imunoproliferativa do intestino delgado (IPSID), também conhecida como linfoma mediterrâneo ou doença das cadeias pesadas alfa, está classicamente associada à infecção por:

45

Paciente com doença celíaca de longa data, aderente à dieta, que evolui com retorno da diarreia, dor abdominal, perda ponderal acentuada e, posteriormente, perfuração jejunal. O diagnóstico mais provável é:

46

Homem de 55 anos submetido a endoscopia por dispepsia. Encontrados múltiplos micropólipos brancacentos na segunda porção duodenal. Biópsia: linfoma folicular, CD10+, BCL2+, t(14;18). A conduta mais apropriada é:

47

Sobre o linfoma primário de cólon, é correto afirmar:

48

Paciente transplantado renal há 2 anos, em imunossupressão, desenvolve massa intestinal. A hipótese diagnóstica que deve ser prontamente considerada é:

VIIIPrognóstico, seguimento e comparações

49

A sobrevida global em 5 anos do linfoma MALT gástrico em estágio IE é de aproximadamente:

50

São fatores de pior prognóstico no linfoma MALT gástrico, EXCETO:

51

Sobre o seguimento a longo prazo do paciente com linfoma MALT gástrico tratado, é correto afirmar:

52

Sobre a transformação histológica do linfoma MALT gástrico, assinale a correta:

53

Estudos comparando estratégia cirúrgica versus conservadora (preservação de órgão) no linfoma gástrico primário demonstraram que:

54

Comparando linfoma gástrico primário e adenocarcinoma gástrico, é correto afirmar:

Parte III

Pegadinhas e associações

As 16 armadilhas mais prováveis do tema, seguidas do cartão de associações diretas para revisão de véspera.

PontoO que é corretoErro típico induzido
Subtipo mais comumMALT (zona marginal extranodal)Responder DLBCL. Ele é o mais comum entre os agressivos, não o mais comum global
t(11;18) API2-MALT1Prediz FALHA da erradicaçãoInterpretá-la como marcador de boa resposta ou de agressividade/transformação
t(14;18)Existem duas: IGH-BCL2 (folicular) e IGH-MALT1 (MALT não gástrico)Assumir que toda t(14;18) é folicular
Mucosa gástrica normalNÃO possui MALT — é tecido adquiridoAchar que o MALT é tecido nativo, o que destrói a lógica da erradicação
Doença residual aos 3 mesesObservação com EDA seriada; regressão leva 6 a 18 mesesEscalonar para quimioterapia ou cirurgia prematuramente
Papel da cirurgia no estômagoRestrito a perfuração, sangramento e obstruçãoIndicar gastrectomia como tratamento primário ou profilático
Critérios de DawsonExigem AUSÊNCIA de acometimento medular, hepático e esplênicoMarcar infiltração de medula óssea como critério
Sintomas BOcorrem em apenas 12% a 20%Assumir a frequência alta típica dos linfomas nodais
Sistema de LuganoNão possui estágio IIIProcurar um estágio III inexistente
IPSID / linfoma mediterrâneoCampylobacter jejuniTrocar por H. pylori
EATLLinhagem T, associado a celíaca refratáriaClassificar como linfoma B
Linfoma folicular duodenalIndolente — watch-and-waitIndicar quimioterapia ou duodenopancreatectomia
H. pylori positivo no MALTFator de BOM prognósticoListá-lo entre os fatores adversos
PET-CT no MALTAvidez ao FDG variável e frequentemente baixaUsá-lo como método de seguimento no lugar da endoscopia
Confirmar erradicaçãoTeste respiratório ou antígeno fecal, 4 semanas após ATB e 2 sem IBPUsar sorologia, que permanece positiva por meses
Linfoma de cólonCeco, DLBCL, cirurgia com papel maior que no estômagoExtrapolar a conduta gástrica de preservação de órgão
Pista dada na questãoDiagnóstico / resposta
Sítio extranodal mais comum de LNHTrato gastrointestinal
Órgão do TGI mais acometidoEstômago
Subtipo gástrico mais comumMALT
Subtipo gástrico agressivo mais comumDLBCL
Lesão linfoepitelialMALT
Padrão em céu estrelado, Ki-67 ~100%, ileocecalBurkitt
Polipose linfomatoide, CD5+, ciclina D1+Células do manto
Micropólipos na 2ª porção duodenal, CD10+, BCL2+Folicular tipo duodenal
Celíaco refratário com perfuração jejunalEATL
Má absorção, Mediterrâneo, cadeia alfaIPSID / Campylobacter jejuni
Transplantado em imunossupressão, EBVPTLD
Estadiamento do linfoma do TGISistema de Lugano
Resposta histológica pós-erradicaçãoSistema GELA
Graduação histológica do infiltradoEscore de Wotherspoon
Melhor método para T e N locorregionalUltrassonografia endoscópica
Doença avançada de MALT, sintomáticaRituximabe + clorambucila (IELSG-19)
Parte IV

Conduta no linfoma gástrico

Cenário à esquerda, decisão à direita. É a forma como as questões de caso clínico costumam ser montadas.

Parte V

Checklist de domínio

Marque apenas o que conseguir explicar em voz alta, sem consultar. Qualquer item não marcado indica onde retomar a revisão.

Parte VI

Fontes

Os textos-referência de cirurgia definem o gabarito esperado em prova; as fontes complementares sustentam as nuances dos comentários.